Você precisa de uma mesa de pingue-pongue?

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Escritórios sem postos de trabalho fixos e home office fazem parte da realidade de uma parte considerável da força de trabalho das grandes cidades, mas a sede, o local que representa a “casa” de uma organização, ainda tem muita importância na cultura corporativa.
Mesmo empresas que teoricamente dependem menos de escritórios, como as de tecnologia, ainda investem muito em locais de trabalho atraentes. Basta pensar no fascínio exercido pela sede do Google, na Califórnia, que virou até filme (Os Estagiários, com Owen Wilson & Vince Vaughn) com seus espaços abertos, sofás e pufes distribuídos entre as mesas e jogos à disposição, entre outros mimos.
Mas uma empresa realmente precisa de uma mesa de pingue-pongue para ser um ótimo lugar para se trabalhar? Observando as características mais elogiadas entre as milhares de avaliações publicadas no Love Mondays, a resposta é: não necessariamente.
Elogios a mimos como salão de cabeleireiros, massagens e salas de jogos no local de trabalho, presentes em diversas avaliações, mostram o poder de encanto de um escritório bem equipado para além do funcional. No entanto, nas empresas bem avaliadas, esses elogios vêm acompanhados de comentários positivos sobre outros fatores de motivação: plano de carreira, clima amistoso, bons líderes. As críticas, quando aparecem, destacam locais de tamanho inadequado para o número de pessoas que os ocupam ou equipamentos insuficientes para a realização das atividades do dia a dia.
O ambiente que aparece como primeiro colocado entre os elogios que mais se repetem é de outro tipo: o clima, fortemente ligado à qualidade das relações interpessoais, à clareza na comunicação e outros aspectos não necessariamente relacionados à beleza ou à modernidade do local de trabalho. Os outros aspectos mais elogiados são, nesta ordem: benefícios corporativos (qualidade de itens como plano de saúde, vale-refeição, transporte, convênios), competência dos colegas (o quanto é possível se inspirar e aprender com eles), progressão na carreira (oportunidades de crescimento) e aprendizado (novas habilidades e experiências obtidas na organização).
De qualquer forma, com ou sem mesa de pingue-pongue, um ambiente físico agradável é importante – e não necessariamente demanda grandes investimentos. Em entrevista à edição americana da revista Forbes, Steve Delfino, Vice-Presidente de Marketing & Produtos da Teknion, escritório de design especializado em bem-estar no local de trabalho, afirma que as empresas precisam ter em mente que em qualquer atividade há momentos em que é necessário colaborar, outros em que é preciso estar sozinho para produzir. Ele diz: “Em qualquer ambiente corporativo, as pessoas operam em modos variados ao longo do dia. Há momentos de criação, de análise, de diálogo, de reflexão. Para atender a essas variações, é preciso planejar ambientes que combinem espaços compartilhados e privados”.
Ele ainda reforça a mensagem de que o estilo de um escritório não muda a cultura de uma organização: “Colocar um sofá no meio de um escritório não vai automaticamente criar um ambiente mais colaborativo. A implantação de um novo tipo de espaço de trabalho é tão importante quanto o design – é vital encorajar os funcionários a utilizá-los e eles olham para a liderança para saber quando e como”. A mesa de pingue-pongue pode ser uma ótima aliada, desde que exista para completar um ambiente positivo e estimulante em outros aspectos.

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