Sim, somos diferentes, mas e daí?

0

Por Paulo Amorim

Vamos imaginar a seguinte cena: Você mora em Belém do Pará e vem pela primeira vez para São Paulo. Ao chegar, em um final de tarde muito bonito, você vai até um bar no Shopping e pede um bom Tacacá. O atendente olha para você com cara de quem não entendeu nada e você para ele com cara de quem não entendeu a reação dele.

Muitas vezes pensamos que diversidade está relacionada a grupos apresentados como minorias ou discriminados na sociedade e nas organizações por suas características de cor, raça, orientação sexual, entre outras. Mas é muito mais do que isto.

Somos seres diversos por essência, gosto de dizer que se encontramos duas pessoas juntas, encontramos diversidade, mesmo que estas sejam gêmeos univitelinos, que tenham tido a mesma criação ou tenham características físicas e de comportamento muito similar.

Ora, se isto é verdade então a sociedade e a organização são 100% diversidade. Por consequência este tema não deve ser foco simplesmente de programas e treinamentos, mas sim uma área de desenvolvimento interpessoal.

Sim, porque para lidar com a diversidade primeiramente precisamos exercitar o autoconhecimento e estarmos abertos à imensidão de diferenças individuais e coletivas existentes, de forma a aceitá-las e respeitá-las.

Mas afinal, quem deve dar o primeiro passo? Você!

Na medida em que você se conhece e está aberto para a diversidade, sua visão de mundo e das pessoas vai mudando e cada vez mais você se sentirá melhor, até o ponto em que absorve este comportamento e não consegue mais ver outra forma de agir.

Deixe-me dividir uma experiência, entre muitas que vivenciei neste tema: Fiz uma viagem para a Irlanda e logo na chegada, quando fui pegar um táxi no aeroporto notei algo diferente com relação ao lado do carro que o motorista dirigia. Como uma primeira reação pensaria “Nossa, o pessoal dirige do lado errado do carro aqui”

Mas eles não dirigem do lado errado, nem nós. A questão é que os Brasileiros usam o lado esquerdo para dirigir e os Britânicos, o direito. Não existe certo ou errado, bom ou ruim, existe diversidade. Esta é a questão.

Leia de novo o primeiro parágrafo do texto e coloque-se no lugar da pessoa que estava viajando pela primeira vez para São Paulo (que pode ser para ou de qualquer outro local em nosso país ou fora). O que você faria para evitar aquela situação?

Fica o desafio.

 

Paulo Amorim é graduado em Administração de Empresas, Especializado em Recursos Humanos e Mestre em Administração pela Universidade Federal do RS. Tem mais de 32 anos de atuação na área da Gestão de Pessoas/RH, com passagem por grandes empresas como Coca-Cola, Gerdau e Dell Computadores. Prêmios Top ABRH e Top ADVB e considerado um dos 10 RHs mais admirados do Brasil em 2010 a 2011. É membro do Conselho de Administração da Câmara Americana de Comércio do Rio Grande do Sul – AMCHAM e do International Coach Federation – ICF.

Compartilhe.