Quando o tema é cultura de engajamento, ao invés do ROI eu fico com o IOM (Invista Ou Morra)

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Por Gabrielle Teco

No mês de maio tive a oportunidade de palestrar em dois eventos voltados aos colegas de RH para falar de cultura de engajamento: o HR Revolution, promovido pela EBDI, e um evento em parceria com o Great Place to Work, onde dividi o palco com a galera de Oracle.

Sempre que termino meus slides, abro espaço para perguntas e interação com o público, e lá vem ela, a fatídica pergunta: “Gabi, quais indicadores vocês usam para provar que investir em engajamento vale a pena?”. Sempre brinco, perguntando se eu posso pular essa.

Como não posso deixar a audiência sem resposta, apelo para estratégia que nunca falha e também não nos deixa cair em contradição: falar a verdade. E a verdade é que há sim como mostrar ao board que o investimento vale a pena, correlacionando indicadores de engajamento (de uma pesquisa de clima, por exemplo), com a taxa de crescimento da empresa ou índice de satisfação do cliente. Porém, a minha crença é que, se o board da sua empresa pede este tipo de “prova”, já há indícios do porquê a sua empresa não anda investindo em engajamento.

Por isso que, ao invés do ROI, eu fico com o IOM: Invista Ou Morra! A era do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” já teve seus dias de glória, mas a decadência deste império de chefes intocáveis-donos-da-verdade-em-reuniões-secretas-decidindo-o-futuro-da-humanidade é cada vez mais evidente e não me parece uma boa estratégia não fazermos nada a respeito disso.

Esta juventude (incluindo quem já está no mercado de trabalho e quem chegará em breve), busca muito mais que um emprego e as empresas que achavam que isso era uma modinha-de-uma-geração-que-se-acha-demais, agora demandam de seus times de RH planos de atração e investem em marca empregadora. Será que é por aí?

A má notícia é que, infelizmente, a solução não é tão simples assim. Afinal, se o board da sua empresa continua precisando de provas que a cultura do engajamento vale a pena, possivelmente ainda não observa os impactos que uma massa de trabalhadores desinteressados pode gerar: desaceleração do crescimento, diminuição da satisfação do cliente, alto turnover, menor número de candidatos por vaga, entre outros indícios de que a coisa não vai bem.

A boa notícia é que o RH nunca teve um cenário tão favorável para demonstrar como pode contribuir com a estratégia. Por isso que, cada vez que recebo a fatídica pergunta sobre o ROI, ao mesmo tempo que estremeço ao pensar na quantidade de profissionais que ainda possuem apenas um trabalho e não um propósito, meu coração se enche de esperança ao ver profissionais de RH interessados em mudar esta realidade.

Portanto, meus colegas, peço apenas uma coisa a vocês: não desistam. Mesmo que seja um passinho de cada vez, cedo ou tarde, os deuses do olimpo (outro nome para os chefes intocáveis), despertarão para esta nova realidade. Eles não terão escolha: ou se adaptam ou ninguém mais vai aceitar trabalhar pra eles.

E espero, do fundo do meu coração, que você esteja aí, pronto para contribuir com o seu melhor para cultivar ambientes corporativos mais humanos, e menos corporativos.

 

2926ea4Gabrielle Teco é Líder de RH & Marketing na Acesso Digital, formada em Comunicação Social pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA Marketing pela FIA – FEA/USP.

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