Para ver e se inspirar: cinco TED Talks sobre tendências profissionais

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O TED (Technology, Entertainment, Design) é um evento de alcance mundial que mobiliza líderes e especialistas para discutirem tendências em diversos segmentos do mercado que impactarão diretamente o nosso modo de viver, trabalhar e nos comportar. Em sua última edição, o TED contou com ótimas discussões sobre tendências profissionais e os desafios futuros do mercado de trabalho.

A seguir, separamos cinco apresentações imperdíveis para você. Confira!

1. Como serão os trabalhos do futuro?

Em sua apresentação, o economista Andrew McAfee falou sobre a necessidade de nos reinventarmos diante da utilização de robôs, androides, drones e outros equipamentos tecnológicos no mercado de trabalho. Segundo ele, haverá a necessidade de educarmos as gerações futuras para enxergarem o mercado de uma outra forma para que cresçam acostumados à ideia de ver mais coisas que se parecem com ficção científica e menos que se assemelhem a empregos.

“Em pouco tempo teremos os carros autônomos e vamos juntar Siri com Watson para facilitar os atendimentos feitos por pessoas”, explica Andrew. “A única maneira de combater a escassez de empregos como conhecemos agora é encorajar o empreendimento, duplicar a infraestrutura e capacitar as pessoas adequadamente”, completa.

O economista considera, ainda, a necessidade de os governos fazerem uma intervenção mais radical, como uma renda mínima garantida para todos os cidadãos. “Uma coisa da qual podemos nos orgulhar nos Estados Unidos e em alguns país da Europa são essas redes de benefícios sociais garantidos”, diz. “A tecnologia está impactando mais a educação. Minha preocupação é que vamos ter tecnologias de ponta em uma sociedade desgastada e apoiada por uma economia que gera desigualdade”, resume Andrew.

Como serão os trabalhos do futuro.

 

2. Megadados são melhores dados

Kenneth Cukier, editor da The Economist, abre seu discurso falando sobre a vastidão de dados aos quais temos acesso atualmente e as diversas possibilidades de uso dessas informações. “Mais dados nos permitem ver mais do que antes e também descobrir coisas novas”, avalia Kenneth, enfatizando que a única forma de os países lidarem com os desafios globais – alimentar pessoas, avançar nos cuidados médicos, oferecer energia e garantir que não fiquemos tostados pelo aquecimento global – será com a utilização de dados de forma eficaz.

“A informação passou de algo estático para dinâmico. Reunindo informações podemos prevenir acidentes e até evitar furtos”, complementa. “É possível jogar dados em um computador e permitir que ele resolva os problemas sozinho”, destaca Kenneth, que também fala sobre o desafio de disputar postos de emprego com computadores altamente eficazes e velozes. “Megadados e algoritmos vão roubar nossos empregos e desafiar o conhecimento dos profissionais assim como a automação industrial desafiou a todos no século XX.”

Segundo Kenneth, embora tenhamos muitos dados à nossa disposição, ainda fazemos mau uso deles. “É fundamental entendermos a utilidade dos megadados para compreendermos o nosso verdadeiro lugar no mundo”, finaliza.

Megadados são melhores dados

 

3. O que acontecerá quando os computadores forem melhores do que nós?

Em sua apresentação, o filósofo e tecnólogo Nick Bostrom abordou o tema da inteligência artificial, com a construção de computadores muito mais velozes do que nós. “A inteligência das máquinas será a última invenção que a humanidade precisará fazer”, diz Nick, enfatizando a evolução da inteligência artificial nas últimas décadas: “hoje, o esforço é voltado à aprendizagem das máquinas. Em vez de construirmos representações do conhecimento e recursos, criamos algoritmos que aprendem, quase sempre a partir de dados não tratados de percepção. ”

Embora destaque que a inteligência artificial não está perto de ter a mesma habilidade de aprender e planejar em várias áreas, como o ser humano, ele levanta a questão “estamos muito longe de podermos reproduzir essas proezas?” Atingir a inteligência de máquinas com nível humano é algo que ninguém sabe exatamente quando acontecerá. Alguns especialistas falam em 2040, outros, 2050. “A verdade é que ninguém sabe”, diz Nick.

“Um neurônio dispara, talvez, a 200 hertz, 200 vezes por segundo. Os neurônios se propagam lentamente nos axônios, no máximo a 100 metros por segundo. Mas, nos computadores, os sinais viajam à velocidade da luz”, diz o especialista, que prevê uma explosão de inteligência artificial nos próximos anos. “Imaginem todas as possíveis tecnologias malucas que os humanos poderiam ter desenvolvido num longo período de tempo: curas para o envelhecimento, a colonização do espaço, robôs autorreplicantes, ou fazer o upload de mentes em computadores. Tudo isso a superinteligência pode desenvolver e talvez bem rapidamente”, destaca.

“Acredito que a solução é descobrir como criar uma inteligência artificial
que, mesmo se escapar, ainda seja segura, pois compartilha nossos valores”, encerra.

O que acontecerá quando os computadores forem melhores do que nós.

4. Como grandes líderes inspiram ações

Simon Sinek, especialista em liderança, falou sobre as formas utilizadas por um líder para inspirar pessoas e ações e citou como exemplos Martin Luther King, os irmãos Wright e a gigante Apple. “Por que a Apple é tão inovadora? Ano após ano, após ano, após ano, eles são mais inovadores que todos seus concorrentes. E eles são apenas uma empresa de computador”, explica. “Há três anos descobri que existe um padrão entre líderes – eles pensam, agem e comunicam exatamente da mesma forma. ”

Ao codificar os comportamentos desses líderes, Simon descobriu que eles “agem de dentro para fora”. “Pessoas não compram o que você faz; elas compram o porquê você faz. ” Segundo ele, quando nos comunicamos de dentro para fora, influenciamos o comportamento das pessoas. “Alamos diretamente para a parte do cérebro que controla o comportamento, e então permitimos que as pessoas racionalizem com as coisas tangíveis que dizemos e fazemos. ”

O exemplo dos irmãos Wright, que realizaram o primeiro voo motorizado, também é citado pelo especialista, que destaca que eles não eram os que possuíam as melhores condições, os maiores recursos e, mesmo assim, conseguiram um grande feito antes de seus concorrentes. “A diferença foi que os irmãos Wright foram impulsionados por uma causa, um propósito, uma crença”, explica.

Segundo ele, os primeiros 2,5% de nossa população são os nossos inovadores, os próximos 13,5% de nossa população são nossos adeptos iniciais, os próximos 34% são a maioria inicial, a maioria tardia e os retardatários. “Seguimos aqueles que lideram, não por eles, mas por nós mesmos. E esses que começam com ‘por que’ possuem a habilidade de inspirar aqueles à sua volta ou encontrar aqueles que os inspiram”, encerra.

Como grandes líderes inspiram ações
5. O modo como pensamos em trabalho é falido

Entender a forma com que lidamos com o trabalho, com o encaramos e como devemos pensar nele nos próximos anos foi tema da apresentação do psicólogo Barry Schwarts, que minimiza a grande importância dada ao salário e destaca pontos cruciais para a nossa satisfação profissional.

“Não trabalharíamos se não nos pagassem, mas não é por isso que fazemos o que fazemos”, explica. “Fazemos isso pela ‘tecnologia das ideias’, diferente da ‘tecnologia das coisas’”, explica Barry. Segundo ele, com ideias, mesmo que elas sejam falsas, elas continuam presentes se as pessoas acreditarem que são verdadeiras.

“O ilustre antropologista Clifford Geertz disse, anos atrás, que seres humanos são ‘animais inacabados’. E o que ele quis dizer foi que é da natureza humana ter uma natureza proveniente da sociedade em que as pessoas vivem”, complementa o especialista, citando que nossa natureza humana é muito mais criada do que descoberta, podendo ser moldada de acordo com as instituições em que as pessoas vivem e trabalham. “Que tipo de natureza humana vocês querem ajudar a moldar?”, encerra Barry.

O modo como pensamos em trabalho é falido

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