O poder de escolher

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Todos nós queremos exercer o nosso direito de escolha.

Lutamos, constantemente, para continuarmos escolhendo. Que seja para onde iremos em nossa próxima viagem, qual festa participaremos no final de semana, tipos de restaurantes, atividades que praticaremos como hobbie, qual série acompanharemos, o curso que faremos na Universidade, um trabalho que tenha mais a ver com a gente, qual carreira devo seguir, enfim… Temos um prazer absoluto em poder escolher.

E se é tão gostoso poder escolher, porque será que nos angustiamos tanto com isso? Sou Coach de Carreira e o que não faltam são casos de pessoas que podem e querem escolher uma carreira interessante e feliz, mas que se sentem, completamente, perdidas. Estou escrevendo aqui sobre todos os tipos de profissionais, idades, condições financeiras, culturais, etc.

O que vale a pena enfatizar é que esta angústia pela “escolha ideal” vem desde muito cedo. O nosso grande receio é ter a oportunidade de escolher e então tomarmos a decisão errada. Ninguém está afim de se frustrar, ninguém quer “comprar a briga” e arcar com a consequência de uma escolha mal feita. E isso está se tornando cada vez mais frequente porque, arcar com a consequência, principalmente quando pode trazer algum tipo de frustração, exige maturidade.

Nossa formação acadêmica não nos proporciona grandes reflexões sobre isso. Nossas condições atuais fazem com que tenhamos muitas opções profissionais e, muitas delas, são extremamente atraentes. Pensem comigo, posso escolher empreender, ter uma carreira acadêmica, seguir pelo setor privado, pelo setor público, posso trabalhar numa Start Up, posso trabalhar no terceiro setor, posso ter uma carreira artística, posso herdar um negócio familiar, posso morar fora, ou seja, eu posso ser tudo o que eu quiser e, obviamente, quanto mais opções eu tiver, mais dúvidas eu terei. Atualmente vemos muitos textos nas redes sociais que falam sobre a importância de se fazer o que se ama e eu não discordo disso, porém, antes, de fazer o que se ama é necessário descobrir o que se ama fazer, certo?

Quando começamos a refletir sobre isso, invariavelmente, alguns questionamentos começam a surgir em nossas cabeças: “Será que eu sei, exatamente, o que eu amo fazer?” “Será que eu sou talentoso para isso?” “Será que vai me trazer retorno financeiro?” Pensando em tudo isso, considero muito importante olharmos, com carinho, para nós mesmos. Lembrarmos que todas estas respostas estão dentro da gente, na nossa história. Por isso é tão importante investirmos um tempo valioso para o autoconhecimento. Claro que ser uma pessoa cheia de conhecimentos gerais, de outras culturas, que saiba de exatas e humanas te faz mais interessante e, olhando para o mercado de trabalho, também te faz mais empregável. Mas, vamos lá, tão importante quanto conhecer o mundo é saber quem somos neste mundo.

A minha sugestão é que tenhamos coragem e dedicação para olharmos para a nossa própria história com amor e tolerância. Que tenhamos maturidade e consciência para respeitar as nossas verdades e que, apesar de tudo, saibamos arcar com o bônus e ônus de cada uma das escolhas diárias, que só cabem a nós mesmos, desde a hora que levantamos da cama até a hora que nos deitamos novamente. Se ficar pesado demais? Não hesite em buscar ajuda.

 

Taís Amaral
Psicóloga, Consultora e Coach

 

Taís é formada em Psicologia e Pós-Graduada em Administração de Negócios. Especializada em Orientação de Carreira para jovens pela PUC Cogeae e em Análise Psicodramática pela Escola Paulista de Psicodrama – EPP, atuou na área de Recursos Humanos de grandes empresas como Nestlé e Grupo Ultra. Formada em Personal & Professional Coaching® e Leader as a Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching e Association For Coaching, hoje é co-fundadora da Salaa, realizando projetos de desenvolvimento organizacional, atendimentos de coaching de carreira, particular e para os alunos de Pós-Graduação e MBA da ESPM.

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