O mercado de trabalho para veteranos: discurso x prática

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Falando da época em que vivemos, pensarmos na diferença entre o discurso político e a prática, poderíamos falar de assuntos como corrupção, política econômica, emprego e crise hídrica, temas onde esta demanda é fundamental para que o avanço do Brasil seja real. Mas meu foco está nos desafios e oportunidades que o fenômeno da Longevidade traz para o mundo e também para a sociedade brasileira de forma geral.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2012, 810 milhões de pessoas tinham 60 anos ou mais (11,5% da população global), e as previsões são de que o número alcance 1 bilhão antes de 2022 e mais que duplique em 2050: serão 2 bilhões de pessoas idosas ou 22% da população global. Pela primeira vez, teremos mais idosos do que crianças até 15 anos.

Dados atuais, segundo o IBGE, apontam a expectativa de vida do brasileiro subindo 11 anos nas últimas décadas, levando o Brasil para uma realidade demográfica nunca antes vivida. Em 2020 estima-se que a população com mais de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de pessoas e em 2050 a 64 milhões, ou seja, três vezes mais do que os 21 milhões de idosos existentes atualmente. Esses números nos conduzem a um fenômeno nunca vivido anteriormente na história da humanidade, o qual os americanos denominam “agequake“, terremoto demográfico.

Vários questionamentos existem ao redor deste fenômeno que vão desde como o trabalho irá se reinventar, como os sistemas de saúde lidarão com pessoas que viverão em condição de saúde bastante frágeis, quais serão os modelos de moradia e serviços que atenderão estas demandas, etc. Enfim, em muitos casos o buraco que menciono nem existe, porque nem iniciamos o debate, ou seja não existe nem o discurso nem a prática. O informativo da ABRH Nacional trouxe em janeiro de 2015 esse debate para o universo corporativo em sua matéria A revolução do Envelhecimento ativo quando pergunta: “Até que ponto pessoas, empresas e governo – notadamente a Previdência Social – estão preparados para transitar por essa realidade?”

Rosana Gonçalves de Rosa, diretora da ABRH-RJ, afirma que o ritmo ultraveloz das mudanças operadas pelas inovações tecnológicas praticamente torna obsoletas as palavras aposentadoria e envelhecimento. No lugar delas, a longevidade força todos a pensarem no novo papel do homem na sociedade e na arquitetura empresarial com uma melhor qualidade de vida. Para Leyla Nascimento, presidente da ABRH-Nacional. “É uma reflexão importantíssima nos dias atuais, quando diz que a associação já se movimenta para desenvolver um projeto de mobilização e debate, que contará com a participação de especialistas do Brasil e do exterior, assim como de empresas e organizações interessadas em apoiar a iniciativa. O debate mexe com as estruturas sociais e organizacionais, ela completa”.

No dia a dia, vemos a notícia sobre os processos de duas gigantes instituições financeiras: o Banco Itaú e o Banco Bradesco. Em 2016 ambos os presidentes deverão ser afastados de suas posições atuais pelas regras da aposentadoria compulsória. Em ambos os casos todos os candidatos à sucessão possuem mais de 55 anos. Em um dos casos, um dos potenciais sucessores talvez não possa ocupar a posição pois completou 59 anos em 2015, apesar de sua experiência e competência serem pontos fortíssimos para a indicação.

Poderemos assistir neste ano que decisão irão tomar duas instituições de tanta representatividade no mundo financeiro com práticas de RH valiosas em ambas. Está aí um novo desafio: Como chegaremos nas novas práticas de sucessão e de RH? Estamos preparando as empresas e esses executivos para serem sucedidos e construírem um novo projeto de vida? Como não perderemos toda essa experiência que essas pessoas acumularam?

MaturiJOBS_FB_PeqOriginalmente, esse artigo foi escrito por Denise Mazzaferro para o blog do MaturiJobs, uma plataforma onde pessoas maduras (acima de 50 anos) encontram alternativas e oportunidades de trabalho e ocupação para se manterem ativas e continuarem compartilhando suas experiências.

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