O futuro do trabalho: além da revolução tecnológica

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“65% das crianças em idade escolar terão cargos que não existem hoje”

Relatório The World at Work – McKinsey, 2012

Se você tem mais de 30 anos, certamente não tinha ouvido falar de webdesigner ou de gestor de mídias sociais como opções de emprego quando deu os primeiros passos na sua vida profissional. Hoje, essas e outras posições, inimagináveis até poucos anos atrás, são comuns e refletem as transformações pelas quais o mundo do trabalho vem passando. E, segundo o Fórum Econômico Mundial, há mudanças ainda mais profundas por vir. Mas o que está causando essas mudanças?
O Fórum reuniu algumas respostas possíveis no relatório O futuro do emprego – empregabilidade, habilidades e estratégias para a força de trabalho na 4ª revolução industrial, divulgado neste ano na famosa reunião anual da entidade em Davos, na Suíça. O material traz opiniões de executivos de nível sênior das áreas de RH e estratégia de 13 países e sugere como indivíduos, empresas e sociedades podem se preparar para esse novo cenário.
A chamada 4ª revolução industrial, que aparece no título do relatório, tem como base uma economia com forte presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade de pessoas. Apenas esses fatores já apresentam uma mudança enorme, que todos sentimos na forma como trabalhamos.
Mas os desafios que se apresentam ao mundo do trabalho vão além da revolução tecnológica. De acordo com o relatório, as mudanças demográficas e socioeconômicas pelas quais estamos passando terão impacto equivalente ao dos avanços tecnológicos nos modelos de negócio e estruturas organizacionais vigentes.

Fonte: World Economic Forum – The Future of Jobs – Employment, Skills and Workforce Strategy for th Fourth Industrial Revolution

1) Mudança na natureza do trabalho: trabalho flexível
A forma como trabalhamos mudou muito por causa da tecnologia, que permite trabalho remoto, por exemplo. Mas a consequência ainda pouco discutida é que as organizações terão um número cada vez menor de funcionários fixos trabalhando em período integral e serão cada vez mais apoiadas por consultores externos e profissionais autônomos para projetos específicos.

2) O crescimento da classe média em mercados emergentes
O centro de gravidade do consumo está mudando: até 2030, a Ásia terá 66% da classe média mundial.

3) Mudanças climáticas e indisponibilidade de recursos naturais
O crescimento econômico ainda é altamente dependente de recursos e matérias-primas naturais, algumas das quais não estarão disponíveis no futuro. Ao mesmo tempo em que isso estimula a inovação para encontrar substituições, o impacto nos níveis de emprego em setores dependentes de recursos naturais será inevitável.

4) Volatilidade geopolítica
É sabido que instabilidades politicas em qualquer geografia têm hoje impactos significativos na economia global, mas os impactos também são fortemente notados na questão de mobilidade de talentos, com dificuldades para que funcionários altamente capacitados aceitem ocupar posições-chave em locais considerados de risco.

5) Ética
O consumidor se mostra cada vez mais atento a questões éticas complexas, como o impacto ambiental ou as condições de trabalho de quem produz o que ele compra. Para o ambiente de tecnologia, privacidade é a maior questão.

6) Longevidade
Cada vez mais pessoas trabalharão na terceira idade para garantir recursos adequados para a aposentadoria, criando uma força de trabalho totalmente nova. Ao mesmo tempo, o atendimento às necessidades de uma sociedade mais velha será fonte de oportunidade para novos produtos, serviços e modelos de negócio.

7) Jovens em mercados emergentes
Enquanto os países desenvolvidos estão envelhecendo, boa parte das economias em desenvolvimento enfrentam um desafio diferente: estruturar sistemas educacionais adequados para preparar uma enorme população jovem para o mercado de trabalho. Algumas dessas economias estão criando modelos exemplares de formação, o que está mudando dramaticamente a distribuição global de talento altamente especializado.

8) O poder econômico feminino
O avanço das mulheres em termos de participação na força de trabalho e na aquisição de educação formal resultou num papel extremamente relevante na economia, como consumidoras e como funcionárias. Como mercado, as mulheres serão responsáveis por um incremento de USD 5 trilhões em gastos com bens de consumo.

9) Urbanização
A população urbana deve dobrar entre 2010 e 2050,chegando a 5.2 bilhões de pessoas. A velocidade desse movimento não tem precedentes e impactará especialmente a China e a África.

Num cenário de mudanças tecnológicas não acompanhadas no mesmo ritmo pelas habilidades da força de trabalho, os chamados re-skilling (atualização) e up-skilling (aprimoramento) dos trabalhadores atuais é fundamental. Muito se fala nas reformas educacionais necessárias para preparar as próximas gerações para esse novo cenário de trabalho, mas, como é possível notar no relatório, a maioria desses impactos já é sentida ou será sentida no curto prazo e não é viável esperar por uma próxima geração mais preparada. A solução, segundo o Fórum, está em três pilares de ação: 

1- Pilar corporativo: as empresas devem assumir mais responsabilidade pela atualização e aprimoramento de sua força de trabalho;
2- Pilar individual: cada pessoa deve assumir uma posição mais proativa em relação ao seu ciclo de aprendizado durante toda a vida, buscando atualização de suas habilidades;
3- Governamental: o poder público precisa fomentar esses esforços de empresas e indivíduos de forma rápida e criativa, criando formas complementares de formação e olhando além da educação de base.

No pilar das empresas, o relatório sugere ainda que a tendência de criar processos colaborativos entre indústrias para obter pools maiores de talentos especializados será a norma, como já acontece muito nos modelos colaborativos de empresas de tecnologia.
Para acessar o relatório completo, clique aqui.

 

Escrito por Equipe Love Mondays

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