IV Seminário de Comunicação com Empregados: o que ouvimos por lá

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A Faculdade Cásper Líbero promoveu em outubro o 4º Seminário de Comunicação com Empregados, no auditório do Teatro Gazeta, em São Paulo. Organizado por Bruno Carramenha, Thatiana Cappellano e Viviane Mansi, professores e profissionais da área de comunicação, o Seminário promove debates sobre a comunicação com funcionários e a importância do diálogo nas organizações. Nesta última edição, empresas como International Paper, Cargill, Takeda, LATAM e BRF compartilharam cases com os participantes.

Diálogo em canais digitais: histórias de pessoas reais

A farmacêutica Takeda mostrou como uma plataforma digital de comunicação entre funcionários pode gerar insights altamente relevantes. A empresa comercializa medicamentos para tratar a síndrome do intestino irritável, uma doença crônica. Num fórum de discussão online, uma funcionária que sofre da síndrome compartilhou as dificuldades que enfrenta ao viajar de avião, já que precisa utilizar o banheiro com muita frequência. A discussão gerada a partir do relato fomentou a criação de uma campanha global de conscientização para companhias aéreas, com o objetivo de criar melhores condições de viagem para portadores dessa doença.

Comunicação longe dos escritórios: vivências nas unidades fabris

A International Paper levou para o evento a experiência de olhar de perto a comunicação com funcionários das fábricas. “Eu ia à fábrica perguntava sobre a intranet, um projeto enorme da minha área, e o funcionário dizia ‘Legal, mas quando vai ter o cardápio do refeitório lá? Só entro pra ver isso, tem muita coisa escrita’”, contou o Head de Assuntos Corporativos da International Paper Eduardo Fonseca. “Queria saber o que eles achavam o café da manhã com o gerente geral da fábrica, uma ação que considerávamos importante, e percebi que eles não se sentiam ouvidos nesse momento, que deveria ser de diálogo”. Segundo Eduardo, o maior aprendizado foi que para fazer comunicação melhor nas unidades, o foco da área teria que mudar de canais e conteúdo para a preparação das pessoas, em especial dos gestores, para dialogar.  

A Cargill trouxe uma experiência de sucesso na formação de seu grupo de agentes de comunicação, como são chamadas as pessoas de outras áreas que cuidam da comunicação em localidades distantes do escritório. Luciane Reis, gestora da área, mostrou que o investimento na formação dessas pessoas com comunicadoras foi acertado, pois hoje pode contar com elas para atividades internas e também para apoiar em temas externos, como contatos com a comunidade e a imprensa.

Além dos muros: o envolvimento dos gestores com o entorno das operações

A Votorantim Cimentos apresentou um projeto piloto realizado pelo gerente de duas fábricas no interior de São Paulo. Ele promove reuniões trimestrais abertas a membros da comunidade para falar sobre o que está acontecendo na unidade e, principalmente, ouvir.  Segundo Elyda Cioffi, da área de Responsabilidade Social, esse exemplo vem trazendo um impacto cultural positivo: “normalmente a empresa vai para a comunidade quando já tem projetos mais prontos. Em uma experiência como essa, nossos gestores entendem que dá para levar as coisas ainda não totalmente definidas e, junto com a comunidade, buscar respostas”.

Confiança e relacionamento: construindo marcas de dentro para fora

A agência Edelman apresentou os resultados de dois estudos globais: o Trust Barometer, focado na confiança das pessoas em marcas e instituições (falamos desse estudo aqui no Canal do RH em setembro – clique aqui), e o Earned Brand, que olha para as relações das pessoas com suas marcas de preferência. Em ambos, fica evidente a importância da opinião e do engajamento dos funcionários de uma empresa na construção da percepção de outros públicos sobre uma marca.

A LATAM Airlines apresentou um case que ilustrou bem essa realidade. Para o lançamento da nova marca da empresa, que surgiu após a fusão entre as companhias aéreas TAM e LAN, a empresa colocou os funcionários como prioridade. Eles conheceram toda a nova identidade visual e o posicionamento da empresa antes do mercado e também foram os primeiros a voar no primeiro avião já adaptado à nova marca. Com a hashtag #somoslatam, a empresa estimulou os funcionários a utilizar redes sociais para divulgar abertamente o novo momento da empresa.

A experiência da BRF: não gostou? Ajude a melhorar!

A BRF (Brasil Foods) apresentou um case em que funcionários ativos em redes informais de comunicação e críticos à comunicação interna da empresa foram convidados a propor melhorias e coloca-las em prática em pilotos. “O modelo mental a que estamos acostumados, em que o plano de ação segura e posterga a prática, foi desafiado nessa experiência. Em dois meses já tínhamos pilotos em andamento. Nem todos funcionaram, mas outros deram certo e hoje temos um grupo de 50 pessoas que viveram e entendem o que é trabalhar a comunicação dentro da empresa”, disse Fabiana Chagas, analista de comunicação.

O mundo lá fora

Luciana Caletti, CEO da Love Mondays, contou que quando a plataforma surgiu, as empresas inicialmente se assustaram com a ideia de funcionários falando delas abertamente em um canal externo: “houve algum desconforto, mas as empresas estavam cada vez mais expostas também em outras frentes e foram percebendo essa transparência trazida pelas redes sociais era inevitável”. Luciana contou que hoje as empresas as informações que podem obter no Love Mondays como algo positivo e mais detalhado do que elas poderiam obter em outros tipos de pesquisa, como as de clima, por exemplo. Luciana mostrou também que “falar mais” e “ouvir mais” aparecem como as principais dicas para o CEO nos depoimentos ao site. Claudia Colnago, que atua como coach para a alta liderança de empresas, reforçou que muitos líderes têm dificuldades justamente nesses pontos: “eles têm a crença de que carisma e a facilidade para o diálogo são natos, não podem ser aprendidos. Eu tento mostrar que não é assim, que com dedicação e treinamento todos podem melhorar muito a forma como se comunicam com suas equipes”.

Para fechar o evento, Thatiana Cappellano resumiu o que foi possível perceber em todos os cases compartilhados: “O posicionamento do comunicador nas empresas deve ser o de articulador, que cria uma relação de confiança com a liderança para ajudá-la a perceber a empresa a partir de outros pontos de vista. É assim que se começa uma comunicação entre iguais”.

Escrito por Equipe Love Mondays

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