EVP e Design Thinking em RH: vale a pena experimentar!

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Por Silse Martell

Pelo menos dois desafios tiram o sono de um head de RH com apetite para transformar: a capacidade de inovação da equipe e o posicionamento operacional da área. Design Thinking, a linguagem de inovação que virou febre nos últimos tempos, pode ajudar a matar esses dois coelhos com uma cajadada só.

Design Thinking é uma daquelas experiências que a gente acha incrível durante o workshop, mas depois não sabe muito bem por quê. E quem apenas ouviu falar na metodologia muitas vezes tem a ilusão de que isso era o que faltava para gerar uma cultura de inovação na equipe.

A verdade, se ela existe, está em consumir Design Thinking com moderação e mesclar a metodologia com uma boa dose de planejamento e pragmatismo à moda antiga.

Num artigo publicado na Wired, o consultor Jeffrey Tjendra faz críticas às empresas que tentam implementar a metodologia sem entendê-la profundamente. Ele diz que isso acontece principalmente nos países em desenvolvimento, onde imperam os workshops milagrosos de apenas um dia. Tjendra é o criador de uma metodologia que integra Design Thinking com a implementação do que foi criado: o link que falta para que o conceito traga o ROI prometido. Segundo ele, esse era o jeito do Steve Jobs trabalhar.

Eu concordo com o Tjendra e por isso na Martell, adotamos o Design Thinking como uma das metodologias para repensar as estratégias e ações que ajudam uma empresa a atrair, reter e engajar os talentos certos para a sua estratégia.

O final das pesquisas de EVP é momento ideal para repensar tudo o que impacta a percepção de um talento dentro ou fora da empresa. Por exemplo, como gerenciar a reputação com um perfil na comunidade brasileira de carreira LOVEMONDAYS, como fez a IBM, o Mercado Livre, a Netshoes e a Ambev. Também é uma boa hora para revisar e/ou reempacotar programas como integração, gestão de desempenho, desenvolvimento de lideranças, e muitos outros. Porém, o trabalho não pode morrer no fim do workshop.

Por outro lado, em defesa do Design Thinking e dos workshops de um dia que oferecemos para áreas de RH, eu argumentaria que o exercício de empatia que a metodologia permite e vale um workshop, de uma forma ou de outra. Sim, porque, empatia, no sentido de se colocar no lugar do talento, de desenhar programas a partir de insights observados na experiência do candidato ou do colaborador não é algo exatamente automático para ninguém, e principalmente para a área de RH.

E não é fácil desenvolver esse mindset. Estamos habituados a filtrar as informações e opiniões que não se encaixam na nossa visão de mundo. Somos programados para desenhar programas de acordo com os nossos gostos, com as nossas preferências, e com o benchmarking de empresas que muitas vezes não tem nada a ver com a nossa. Esse olhar para a experiência do usuário dos serviços de RH é crítico na implementação de um EVP.

Então é por conta de tudo isso que eu acredito valer muito a pena experimentar o Design Thinking em EVP.
Organizações que se transformam com empatia pelos talentos que precisam atrair, reter e engajar de acordo com o seu o propósito, visão e estratégia, criam culturas de inovação e o RH é percebido como fundamental para o futuro do negócio.

 

Silse Martell é fundadora de duas empresas, a Martell Consultoria e a SMARTPR, uma agência de RP. Foi diretora de comunicação da Ericsson para a América Latina, gerente de comunicação na United Family Communications em Miami, e trabalhou na Fleishman-Hillard, uma das maiores agências de RP do mundo.

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