Entrevista exclusiva: Luciana Caletti, Co-fundadora e CEO do Love Mondays

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No dia 8 de setembro, o Glassdoor anunciou a aquisição do Love Mondays, a maior comunidade de carreiras do Brasil onde funcionários avaliam as empresas onde trabalham. Como o Glassdoor, o Love Mondays permite que profissionais acessem avaliações de funcionários sobre o ambiente de trabalho na empresa, faixas salariais e vagas de emprego em mais de 75.000 empresas de todo o Brasil.

Na véspera do anuncio, conversei com Luciana Caletti, cofundadora e CEO do Love Mondays, para descobrir como ela se sente sobre a aquisição, como mulher empreendedora e sobre o futuro da transparência no mercado de trabalho para os profissionais que procuram por emprego na América Latina.

Glassdoor: Parabéns e bem vinda à família Glassdoor! Como você se sente?

Luciana Caletti: Obrigada! Estou realmente muito animada em fazer parte da familia. O Glassdoor sempre foi uma inspiração para gente, então é incrível fazer parte do time e trabalhar com esse pessoal que já alcançou tanto. Estamos muito felizes.

Glassdoor: Quando você e seus cofundadores sentaram-se juntos pela primeira vez, o que foi que vocês viram como uma necessidade dos brasileiros?

Luciana Caletti: Nós percebemos que os profissionais brasileiros realmente não tinham fontes de informação para fazer boas escolhas de carreira. As pessoas tinham que confiar em algum conhecido que trabalha na empresa para que pudessem conhecer um pouquinho melhor sobre a empresa. Vimos que os brasileiros estavam tomando decisões de carreira no escuro e sabíamos que isso não era bom para o profissional e nem para a empresa. Para o indíviduo, se ele entrar em uma empresa onde ele não se adapta à cultura, ele não terá sucesso e não será feliz como pessoa. Para a empresa, por outro lado, nós sabemos que elas gastam muito tempo, dinheiro e recursos para atrair, recrutar e treinar um profissional, mas se ele não se adaptar à cultura da empresa, os recursos terão sido desperdiçados. Nós acreditamos que com o Love Mondays empoderamos profissionais a fazer melhores escolhas de carreira e possibilitamos às empresas atrair os talentos certos.

Glassdoor: Antes de começar o Love Mondays, você vivenciou a dificuldade de procurar um emprego às cegas no Brasil? Você pessoalmente experimentou essa dor do profissional?

Luciana Caletti: Quando eu entrei na Johnson & Johnson, antes de começar o Love Mondays, eu realmente queria descobrir mais sobre a empresa. Essa foi a minha primeira decisão de carreira depois do meu MBA. Na época eu usei o Glassdoor para entender se a Johnson & Johnson tinha os mesmos valores que eu e para descobrir o que os outros profissionais achavam da empresa. Então eu entendi a importância das avaliações e de descobrir como é o dia a dia na empresa na minha própria carreira.

Glassdoor: Qual seu objetivo nessa união de forças com o Glassdoor? O que essa parceria irá oferecer aos usuários no Brasil e na América Latina?

Luciana Caletti: Nós estamos confiantes de que unir forças com o Glassdoor vai nos permitir ajudarmos ainda mais brasileiros e empoderá-los a fazer ainda melhores escolhas de carreira. Nós sabemos que há ainda muito espaço para este tipo de serviço na América Latina e que os profissionais que precisam disso. Nos unindo ao Glassdoor, cresceremos ainda mais rápido e teremos acesso ao expertise e experiência de um time que nós sempre admiramos e que nos inspira. Nós estamos realmente animados com os anos que estão por vir, pois sabemos que essa parceria irá trazer uma grande oportunidade aos profissionais latinos americanos e também permitir que as empresas atraiam os talentos certos.

Glassdoor: O que anima você no mercado de trabalho brasileiro? Que setores no Brasil irão realmente se beneficiar com uma expansão e força da Love Mondays + Glassdoor?

Luciana Caletti: No geral, o mercado latino americano irá se beneficiar com a inovação disruptiva que o Love Mondays e o Glassdoor trazem para o mercado. Os modelos que vemos no mercado de trabalho brasileiro e latino americano como um todo são modelos mais clássicos. Vimos muito pouca inovação na área de RH nos últimos 20 anos aqui na região e isso permitiu que o Love Mondays crescesse muito rápido. Vemos esse crescimento acelerado como prova de que tanto os profissionais quanto as empresas estão ansiosos para encontrar novas maneiras de tomar decisões de carreira e atrair profissionais.

Glassdoor: Como mulher fundadora e CEO de uma startup brasileira, a sua é uma grande realização. Esse acordo teve um significado especial para você?

Luciana Caletti: Eu estou animada e feliz como qualquer outro fundador de uma startup estaria. No geral nós infelizmente não vemos muitas mulheres fundadoras de startups de tecnologia e na América Latina acredito que haja ainda menos do que nos Estados Unidos. Eu amaria ver mais mulheres fundando startups. Nessa semana, eu estou participando de um curso de inovação na Universidade de Stanford e o curso é organizado pelo VC que investiu na Love Mondays. De 40 empresas, apenas duas são fundadas por mulheres. Então eu adoraria ver mais mulheres fundadoras no espaço de startups de tecnologia – em todos os países.

Glassdoor: Qual conselho você daria para outras mulheres fundadoras de startups?

Luciana Caletti: Não deixe que o baixo número de mulheres em startups incomode você ou a impeça de começar sua própria empresa. Este seria meu primeiro conselho. Segundo, para mim foi muito importante ter outros cofundadores que têm a mesma visão que eu e compartilhavam dos mesmos objetivos. Ter dois cofundadores que estão realmente alinhados com o que queríamos alcançar foi essencial. Às vezes eu vejo empreendedores fazendo tudo sozinhos e eu realmente admiro eles. No entanto, o aspecto de time foi muito importante na minha jornada.

Traduzido do texto de Amy Elisa Jackson do Glassdoor

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