Como vai a comunicação na sua empresa?

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Por Bruno Carramenha

Eu posso imaginar que a pergunta título deste artigo pode te levar a pelo menos quatro tipos de respostas. E – de antemão – já te adianto: todas elas estão corretas.

  1.   Você pode me responder pensando em como a área de comunicação na sua empresa tem trabalhado a gestão dos veículos internos. Pode dizer se você gosta da intranet ou se costuma parar para ler o mural que fica na entrada do refeitório. É possível que, nesse caminho de reflexão, você se lembre do conteúdo formalmente transmitido, dos eventos internos, das campanhas de engajamento e das ações em datas comemorativas.
  1.   Tem a chance de você pensar em como se estabelecem as relações entre as áreas na sua empresa. Vendas consegue se comunicar adequadamente com a área de manufatura toda vez que tira um pedido? E a área de compras, sabe com a antecedência adequada que precisa pedir mais matéria prima para o fornecedor? Também cabem nessa linha de reflexão como ficamos sabendo das mudanças de processo de pagamento que a área de finanças promove, como descobrimos novidades no pacote de benefícios promovidas pelo RH e assim por diante.
  1.   Uma outra possibilidade é de você me responder à pergunta recorrendo à relação que você tem com seus colegas no trabalho. Você pode se lembrar daquele colega que sempre sabe das coisas em primeira mão e as compartilha com os mais chegados; também podem vir à mente aqueles bate-papos de “descompressão”, que você costuma fazer na área do café uma vez por dia; e toda forma como se comunica, informalmente, com colegas de trabalho.
  1.   Por fim, mas não menos importante, é bem possível que você pense na comunicação a partir de como seu chefe se comunica com você. Desde a forma como ele costuma fazer isso – é organizada e clara ou desordenada e ininteligível? –, até a frequência, estilo, entre outros aspectos. Aliás, se você já teve mais de um chefe na sua carreira sabe que, por mais que as empresas tenham políticas de gestão, o estilo conta muito (para o bem e para o mal), mas a capacitação da liderança sobre a habilidade de se comunicar conta bastante também.

O fato é que comunicação não é uma coisa ou outra. É uma coisa e outra. E outra. E outra. No dia a dia, acho bem difícil que você (ou qualquer outro colega), quando pensa na comunicação da sua empresa, pare para refletir se é a comunicação 1, 2, 3 ou 4 que vai mal. Quando um aspecto vai mal, toda a comunicação vai mal.

Se você não sabe para onde a sua empresa está indo, quais são as prioridades de negócio que todos devem buscar, isso é um problema de comunicação. Se você não entende se o seu trabalho tem feito diferença, não sabe como suas atividades podem impactar outras áreas da empresa, isso é um problema de comunicação. Se você chega num restaurante para pagar a conta com seu vale-refeição, é surpreendido sem saldo, e descobre – só depois – que naquele mês o crédito atrasaria uma semana, isso também é um problema de comunicação.

No dia a dia, tudo comunica, e reconhecer a complexidade da comunicação é o primeiro grande passo para que a empresa consiga gerenciá-la adequadamente.

Ao reconhecer esses aspectos, todo empregado pode ter uma contribuição ativa na melhoria da comunicação da sua empresa, seja entendendo seu espaço como agente, seja sinalizando pontos de melhoria.

Bruno Carramenha é professor e consultor de comunicação, tem desenvolvido trabalhos para ajudar empresas a entenderem seu ambiente de comunicação e, com isso, melhorarem suas relações com empregados. É coautor dos livros “Comunicação com empregados: a comunicação interna sem fronteira” e “Ensaios sobre comunicação com empregados: múltiplas abordagens para desafios complexos”.

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