“Oi, muito prazer!” Como reconhecer a cultura de uma empresa.

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Por Viviane Mansi

Optar por um novo emprego é sempre uma aposta. A empresa faz o que pode para atrair o empregado e, claro, o empregado faz o melhor possível para demonstrar que ele é a melhor escolha da empresa.

Esse “namoro” começa no processo seletivo.  É ali onde surgem as primeiras oportunidades da dupla se conhecer melhor, daí a sua importância.

Este é o momento em que começamos a acessar a cultura da empresa. Podemos definir cultura como o “jeito de ser” da organização. É a sua identidade. Conhecer alguns dos traços dessa identidade pode nos ajudar a entender se há “química” necessária para a história ter vida longa (ou, se você assim preferir, para que a história seja infinita enquanto dure).

As escolhas da empresa pela dinâmica do processo nos traz bons insights sobre questões de cultura organizacional que vão nos ajudar a trafegar lá dentro.  Além disso, o candidato pode questionar os entrevistadores sobre uma série de hábitos que o ajudarão a saber se ele se sentiria à vontade lá dentro e, também, fazer uma boa pesquisa sobre o que os empregados falam sobre a vida organizacional da candidata à empresa dos sonhos.

Sem levar em consideração um contexto, não podemos dizer que uma cultura é boa ou ruim. Isso vai depender de diversos fatores, como a sintonia entre como a empresa é e o que estamos buscando em termos de carreira, interação com os colegas e experiências profissionais.

Veja alguns elementos que podem ajudar a refletir sobre a cultura:

  • Linguagem/narrativa: a empresa é formal? Informal? A forma como os empregados se expressam sobre a companhia nos dá essa dica. E empresa explora aspectos de diversidade? Pode ser um indicador de que lá as pessoas podem se expressar mais livremente.
  • Ritos e cerimônias: eles nos ajudam a entender as preferencias da empresa. Quem celebra com pompa e circunstância o momento em que os empregados comemoram 10, 15, 20 anos de casa provavelmente queiram que as pessoas façam carreira lá dentro. Se envolvem a família nas comemorações internas, podem valorizar um clima mais amistoso.
  • Punições: como a empresa fala dos seus erros? Eles são naturais, estão na narrativa dos empregados como algo necessário para o aprendizado? Se isso acontece, é um indicativo de um ambiente que permite mais inovação.
  • Recompensas: a empresa comemora os acertos? Só os grandes ou também os do dia a dia? Às vezes a gente precisa de mais do que um bônus gordinho no final do ano.
  • Histórias: peça para ler a revista interna ou outros meios de comunicação direcionados ao público interno. Quem está na pauta: só os diretores ou todo mundo participa da construção da história da empresa? Encontrar os empregados como protagonistas das histórias que são importantes para a organização pode ser um sinal de autonomia e de valorização das pessoas.

Uma vez que acessamos todo esse repertório, podemos começar a entender um pouco desse “tecido” que é a cultura organizacional. Ele não é feito de fios da mesma cor, não é feito de um único elemento, mas é essencial para decidirmos se queremos ou não aceitar o convite. Vale a pena o esforço – é nossa chance de conhecer melhor a empresa e, por que não dizer, conhecer melhor a nós mesmos!

Viviane Mansi é mãe, esposa, professora na Faculdade Cásper Líbero e na Fundação Dom Cabral, além de pesquisadora do CIP (Centro Interdisciplinar de Pesquisa da Faculdade Cásper Líbero) e executiva. Entre seus livros estão “Comunicação com empregados – A comunicação interna sem fronteira” e “Comunicação, diálogo e compreensão nas organizações”, ambos pela editora InHouse.

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