Como o candidato descobre se a empresa tem a ver com ele?

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Como o candidato descobre se a empresa tem mesmo a ver como ele? No site da empresa, a imagem do emprego ideal. Plano de carreira, ambiente desafiador, pessoas sorridentes nas fotos. Na imprensa, notícias boas sobre faturamento, planos de expansão e cidadania empresarial. Mas no fim, como saber se ali, no miúdo do dia a dia, vai ser gostoso trabalhar?

Para encontrar respostas, fomos conversar com quem entende – e muito – do assunto: os gestores de Recursos Humanos de algumas das empresas que fazem parte do Love Mondays. Akzonobel, Beleza na Web, Bluesoft, Concentrix, Itaú-Unibanco, Mercado Livre, Netshoes, Takeda e Totvs falaram sobre o que um candidato pode fazer e observar durante um processo seletivo para saber se vai gostar de trabalhar na empresa. Afinal, como afirma Amandha Cortes, Superintendente de RH do Itaú-Unibanco, a seleção acontece hoje dos dois lados: “Não é só a empresa que seleciona os candidatos. Os próprios candidatos escolhem onde preferem trabalhar. As empresas já se ligaram nisso e a disputa pelos melhores profissionais é intensa”.

O poder das boas perguntas

O site da empresa, as notícias na imprensa e outras fontes públicas oferecem informações valiosas para formular boas perguntas, cujas respostas podem oferecer uma visão aprofundada sobre a empresa. “O processo seletivo implica numa avaliação dos dois lados – entrevistador e entrevistado. Com isso, é importante que antes do processo, o candidato estude sobre a empresa, converse com algumas pessoas e, na entrevista, faça perguntas sobre os resultados e a estratégia da companhia. Essa clareza é fundamental para que o candidato possa entender o momento e os desafios da organização e se ele se sentiria bem trabalhando neste ambiente”, diz Veronika Falconer, Diretora de RH da Takeda.

“Pode parecer óbvio, mas nem todo mundo pesquisa com profundidade sobre a empresa e as oportunidades que ela oferece durante um processo de recrutamento e seleção. É algo que observamos com maior intensidade ao longo da permanência das pessoas nas organizações, quando respondem a um questionamento interior ou de colegas, a uma pesquisa de engajamento e satisfação, ou ainda manifestando a percepção em sites especializados externos, como o Love Mondays”, diz Gilberto Martelli, Diretor de RH da Concentrix. “Se não pesquisarmos sobre a empresa onde pretendemos trabalhar, perdemos a oportunidade de selecionar a melhor alternativa, o que é melhor para nós. Sei que alguns vão dizer que não temos tantas alternativas disponíveis assim atualmente, e é verdade. Mas não podemos perder de vista o que é importante para nós e para nossa carreira em um momento tão importante”, afirma.

Estudar o setor de atuação da empresa, entender seus desafios e saber como a empresa pretende lidar com eles, fará com que você extraia do processo informações valiosas sobre o estilo da organização e de como você poderá dar a sua contribuição. “É importante ter uma visão crítica durante o processo seletivo para entender qual é a cultura da empresa. Fazer perguntas é indispensável para identificar como essa cultura é implementada e mantida no local de trabalho”, diz Luciana Miyagui, Gerente de Aquisição de Talentos da Akzonobel.

Durante o processo seletivo, o candidato tem a oportunidade de estar no ambiente físico da empresa e de interagir com algumas pessoas que trabalham ali. Muitas vezes, a preocupação com o próprio desempenho numa entrevista ou dinâmica tira o foco de algo muito importante: a observação. “As interações com o time de atração de uma companhia, a forma como você é recebido e todo o processo seletivo são bons indicadores. Se te agradam todas essas etapas e a forma como elas foram conduzidas, então há mais chances de aquela empresa ser um local de trabalho ideal para você”, diz Rita Pellegrino, Diretora de Recursos Humanos da Totvs.

Veronika, da Takeda, concorda: “É importante observar como é o ambiente de trabalho, como as pessoas se relacionam entre si e quão cordiais elas são umas com as outras. Isso o ajudará a ter uma visão de como as coisas realmente são”.  Amanda Martinez, Assistente Administrativo na Bluesoft, também bate nessa tecla:  “No dia da entrevista, o candidato também deve avaliar a empresa. Veja como são as instalações, analise as pessoas que já trabalham no local, sinta o ambiente e, se tiver a oportunidade de conversar com alguém que já trabalha ali, faça isso”.

Prata da casa, palavra de ouro.

Pesquisas mostram que a opinião mais confiável sobre como é trabalhar numa empresa é a de quem trabalha ou trabalhou nela. “Assim como as empresas realizam um trabalho de análise de perfil, currículo e referências do candidato antes da entrevista, o candidato deve fazer o mesmo. Hoje em dia, além das redes sociais que auxiliam o entendimento da carreira e competências dos profissionais, existem, em contrapartida, as que auxiliam o candidato a buscar informações sobre a empresa onde ele pretende trabalhar, como o próprio Love Mondays. Isso torna o processo ainda mais rico”, diz Sergio Póvoa, Diretor de RH do Grupo Netshoes.

Para Luciana, da Akzonobel, saber o que dizem os atuais e ex-funcionários é tão importante quanto conhecer os resultados da empresa: “A internet possibilitou uma avaliação democrática das empresas. Buscar informações de ex-funcionários e funcionários é tão relevante quanto dados financeiros. Procurar entender como a empresa é avaliada por diferentes grupos – funcionários, acionistas, fornecedores – e como ela se posiciona em diferentes situações é fundamental”.

Cultura: saiba o que tem a ver com você

Para Simone Pinheiro, Diretora de RH do Beleza na Web, um dos principais aspectos que um candidato deve observar antes de aceitar uma proposta ou participar de um processo seletivo, é a cultura da empresa. “Se o candidato busca um ambiente de trabalho dinâmico, que privilegie a autonomia do profissional e exija rapidez na tomada de decisões do dia a dia, talvez ele se frustre ao trabalhar em empresas com processos e alçadas decisórias mais complexas, por consequência mais lentas. É fundamental buscar informações sobre a companhia em que se pretende trabalhar, conversar com pessoas que trabalham ou já trabalharam nela pode trazer informações importantes para você avaliar se essa é a cultura que busca”, afirma. “Toda empresa é composta de pessoas que se engajam e se relacionam com a companhia através de uma cultura, valores e um jeito de pensar e agir. Ao participar de um processo seletivo, o candidato deve observar essa dinâmica e se ver fazendo parte dela”, diz Rita Pellegrino, da Totvs.

Helen Menezes, Gerente de RH do Mercado Livre, dá um exemplo: “É muito importante que o candidato avalie os princípios culturais que formam o DNA da empresa. No caso do Mercado Livre, procuramos deixar nossos princípios culturais muito claros. E na hora de contratar eles têm peso até maior do que as habilidades técnicas, já que entendemos que estas podem ser desenvolvidas aqui, dentro de casa. As principais características do profissional que faz parte das nossas equipes, por exemplo, são perfil bastante empreendedor, senso de dono, gostar de assumir riscos, ser inovador e sentir-se bem em trabalhar em um ambiente informal”.

A importância de ser transparente

Veronika Falconer, da Takeda, diz que o principal ponto de um processo seletivo é que o candidato seja ele mesmo – só assim a empresa terá a oportunidade de avaliar se ele realmente tem o perfil para ser feliz e realizado ali.  “É importante que o entrevistado deixe claro o que valoriza e a forma que prefere trabalhar, dê exemplos concretos de projetos de sucesso que conduziu ou esteve envolvido. Isso é importante para que o entrevistador consiga ter uma visão clara das suas fortalezas, do seu diferencial e possa checar a aderência do seu perfil à empresa”, afirma.

Amandha Cortes, do Itaú-Unibanco, afirma que é preciso falar de si para além da experiência profissional para que a empresa realmente possa conhecer o candidato. “No caso de candidatos jovens, por exemplo, atividades extracurriculares como viagens, voluntariado, iniciação científica, participação em congressos, monitoria e empresa júnior, falam mais sobre a pessoa do que seu último cargo”.

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