A difícil arte de ser produtivo num mundo de distrações

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Por Viviane Mansi

Entre as várias demandas modernas, uma palavra tem se tornando um mantra para os executivos: produtividade. Em tempos de crise econômica e incertezas de mercado, é preciso fazer mais com menos. Todos nós conhecemos a receita, pois também fazemos isso em nossa casa. Quando temos mais recursos, investimos em coisas que nos dão mais prazer e satisfação. Quando o orçamento fica mais limitado, vamos cortando aquilo que não nos parece fundamental (e muitas vezes fazemos sacrifícios para preservar essas coisas que nos dão o tal prazer e satisfação).

As empresas estão fazendo a mesma coisa. Algumas têm investido em revisão de processos e sistemas para desburocratizar o dia a dia, em projetos que trazem eficiência de algumas áreas e assim por diante. Outras também têm investido em falar de produtividade pessoal. Aí encontramos diversas dicas, como ter foco, organizar bem o dia, fazer as tarefas difíceis primeiro, separar o urgente do importante, evitar ler e-mails o dia todo, evitar dispersões ao longo do dia em redes sociais, definir metas, acordar cedo, etc, etc, etc (Dicas precisas estão disponíveis no Pinterest, em versão infográfico, para todos os gostos e necessidades).

Tudo isso tem seu valor, mas é sempre bom a gente pensar se todas essas sugestões genéricas são úteis e nos fazem felizes. Explico-me: não somos máquinas. Como seres vivos, experiências contam. Reduzir o nosso dia a dia à execução de tarefas ordenadas e pré-planejadas pode ser produtivo apenas no curto prazo. A pausa para o café, a conversa com os colegas, a pesquisa despretensiosa de algum tema que nos interessa… tudo isso alimenta a alma, o coração e a forma como lidamos com as tarefas do cotidiano.

É importante ser produtivo, claro, mas é mais importante ser feliz. Combinar as duas coisas é uma arte, não uma ciência. Vale a pena conhecer os muitos modelos de produtividade e melhorar sempre nosso ambiente de trabalho, mas no limite de isso não impactar a nossa criatividade, inovação e vontade de fazer diferente.

Chegar para trabalhar com o sorriso no rosto e com o ânimo que só tem quem gosta e se diverte com o que faz tem benefícios maiores que aqueles medidos pelos ponteiros do relógio ou pelas fórmulas da produtividade.

Estar conectado com um propósito, acreditar no trabalho que fazemos e curtir a relação entre os colegas já traz o foco necessário para fazermos mais com menos, em menos tempo.

A gente tende a se distrair mais quando o entorno parece mais simpático, atraente e divertido que o próprio trabalho. Nesse caso, precisamos refletir sobre nosso propósito (o que a gente busca no trabalho). Quando esse tema encontra alguma sintonia com o propósito da empresa para a qual trabalhamos, nós nos tornamos mais resilientes. Se, por outro lado, não vemos esse ponto de encontro, talvez seja a hora de começar a pesquisar outras oportunidades que nos tragam mais brilho nos olhos, e realmente nos façam amar as segundas-feiras. Estamos diante de uma busca pessoal, intransferível, mas necessária. É o momento de repensarmos a nossa felicidade, sem nenhuma distração relevante.

Viviane Mansi é mestre em Comunicação, pesquisadora, professora, mãe, esposa, e gerente global de comunicação interna numa grande empresa. Teve a felicidade (e a sorte!) de encontrar o seu propósito logo no início da carreira.

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