A cultura organizacional como fator catalizador da alta performance nos negócios

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Por Sergio Povoa

O entendimento de que os colaboradores são os ativos mais valiosos de uma organização há tempos já é senso comum na atividade empresarial. Afinal, por eles passam processos condutores dos negócios, o que torna desafio constante a mensuração de desempenho e a gestão do capital humano. Nesse sentido, existe um fator crucial por trás da performance e produtividade das pessoas: a conexão dos colaboradores com a cultura organizacional da empresa.

A cultura organizacional é o DNA da empresa e é desenvolvida, no dia a dia, da porta para dentro – sem nunca desconsiderar a influência do mundo externo –, pela história e experiências de seus fundadores, sócios, executivos e multiplicada entre os colaboradores. O caminho para a consolidação dessa cultura passa pela identificação do time com as práticas, símbolos, hábitos, comportamentos e valores que permeiam a organização e, uma vez estabelecida, torna-se um grande imã de talentos – para atraí- los e engajá-los na relação profissional que selam com a empresa.

Neste processo, o papel da área de Recursos Humanos é atuar como facilitador para o desenvolvimento, compreensão e vivência da cultura entre todos os colaboradores, de modo que possam enxergá-la e senti-la sem estar escrita em nenhuma cartilha. Isso deve ocorrer, por exemplo, na seleção de pessoas, na concepção de qualquer programa interno e na postura dos gestores, com alinhamento à cultura da empresa para entrega de valor. De modo contínuo, outras áreas também colaboram com essa disseminação – campanhas publicitárias, por exemplo, mostram muito sobre o que é a empresa e o que ela pretende transmitir, afinal: tudo comunica!

Dentro do mercado de comércio eletrônico, existe uma série de players com diferentes características, mas uma característica comum do setor é a interligação que existe em toda a cadeia de operações: durante qualquer problema, seja na logística ou na usabilidade do site, por exemplo, a Central de Relacionamento será acionada pelos consumidores. Esse modelo influencia muito a cultura – além de todos precisarem trabalhar juntos, como um verdadeiro time, para oferecer uma boa experiência de compra, outros valores acabam sendo incorporados.

No Grupo Netshoes, por exemplo, vemos a união entre os setores e as pessoas como valores imprescindíveis. De acordo com essa premissa – e com a intenção de cada vez mais disseminá-la entre os nossos colaboradores –, não há espaço para divisões físicas ou salas isoladas entre postos hierárquicos de uma mesma. Esse tipo de segmentação, dependendo da cultura da empresa, pode funcionar como obstáculo importante na disseminação de valores guiados pela noção de parceria.

Outro importante valor de cultura em nossa atuação é a agilidade, que chamamos de #RápidoComoUmClick. Isso é algo que é percebido e vivenciado pelos nossos consumidores, na forma como atendemos e entregamos nossos produtos com rapidez e qualidade, mas é também sentido e experimentado pelo nosso time, que trabalha com muita energia e em ritmo propulsionado pela proatividade. Sem isso, a operação do dia a dia e o encantamento do cliente não são possíveis.

Os ativos que compõem uma cultura organizacional independem de pessoas de forma individual – do dono da empresa ou do fundador especificamente – são como colchas de retalhos, formadas por histórias construídas ao longo do tempo e por diferentes personagens e áreas da organização. E a aderência dos diversos stakeholders a esses valores tem de ser espontânea e legítima… Por exemplo, a transmissão de uma imagem, que talvez não seja real e nem desejada, de descontraída ou “cool”, não ocorre simplesmente pela colocação de um pufe ou uma rede no meio do escritório. Uma ânsia por transformar elementos culturais já solidificados ou uma mobilização para criar novos princípios pode impactar não somente a fidelização de clientes e consumidores, mas sobretudo no desempenho dos colaboradores.

A conexão com a cultura organizacional também está diretamente relacionada com o nível de felicidade das pessoas que trabalham em uma empresa, justamente por haver essa crença e identificação. E, mais que isso, por haver um compartilhamento de significado. A afinidade com uma cultura consolidada permite a configuração de um ciclo virtuoso, com colaboradores satisfeitos, boa performance nos negócios e o fortalecimento da marca, inclusive em momentos de crise interna ou externa.

Sergio Povoa é graduado em Administração pela UGF, possui MBAs em Recursos Humanos pela FGV e em Administração pela Fundação Dom Cabral. Conta com mais de 25 anos de experiência no mercado, já tendo ocupado cargos de gestão e diretoria em companhias como Grupo Pão de Açúcar, J. Macedo, Areva, General Eletric, Unilever e Souza Cruz. O diretor acumula, ainda, expertise na implantação de programas estratégicos e de liderança para desenvolver resultados e alta performance dos colaboradores com indicadores e métricas.

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