Como a Empiricus está inserindo a Transparência Radical em sua cultura

0

A cultura organizacional é uma daquelas coisas difíceis de explicar, mas fáceis de perceber. Na teoria, inclui uma série de fatores, como os valores, comportamentos e rituais compartilhados pelos colaboradores e gestores da empresa. Por ser algo em plena operação e subjetivo, a cultura funciona como um organismo vivo.

É por isso que ações envolvendo transformação ou ajuste cultural nas organizações são tão complexas. Afinal, como ajustar um avião no ar com centenas ou até milhares de passageiros a bordo? É isso que a Empiricus está fazendo.

“A real meritocracia não vai acontecer se a verdade não estiver posta. As pessoas precisam poder falar. E precisam poder ouvir. Estamos preparados para saber o que as pessoas pensam da gente. Queremos saber em que somos fortes e em que somos ruins”. Foi com esta mensagem, enviada em um e-mail, que Felipe Miranda, sócio-fundador e CoCEO da Empiricus, provocou a liderança da empresa e deu origem ao projeto “Transparência Radical” para revolucionar a cultura da companhia.

Para entender este processo, conversamos com Thiago Veras, Head de Gente e Gestão da Empiricus. Segundo Veras, a Empiricus é, hoje, uma companhia orientada aos resultados. “A gente nunca considera o jogo ganho: todo dia chegamos para trabalhar com a mentalidade do primeiro dia da empresa”, conta. Para funcionar nesse ecossistema, as pessoas têm autonomia e, em geral, são arrojadas. Acima de tudo, precisam estar preparadas para dizer – e ouvir – a verdade.

O que é transparência radical e de onde ela surgiu?

O projeto da Empiricus tem muita inspiração em Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, empresa americana de gestão de investimentos cuja cultura organizacional ficou famosa pela chamada “Transparência Radical”. O feedback é a palavra de ordem para a melhoria de desempenho dos negócios e das pessoas; e há ferramentas como aplicativos para feedback instantâneo dos colaboradores em reuniões, permitindo que todos os participantes sejam avaliados em tempo real. Também se defende que as melhores ideias sobrevivem independentemente de quem as defenda nas discussões.

Junto com uma consultoria especializada, a empresa ouviu os funcionários para entender sua cultura e abriu espaço para que todos pudessem dar feedback para os principais executivos da empresa. O primeiro passo foi a aplicação de algumas avaliações e entrevistas para entender o gap entre aquilo que a empresa é e o que deseja ser. Uma avaliação feita por todos, e não apenas uma visão de cultura desejada pela alta liderança.

Como a empresa está implementando o programa?

Durante o processo de pesquisa, os colaboradores foram questionados, de acordo com diversos critérios. O resultado foi uma diferença pequena entre a visão do que os colaboradores desejam e como avaliam a cultura presente. Os funcionários, nesse sentido, demandam um olhar mais apurado para a gestão de pessoas e processos.

Com o rápido crescimento e expansão do grupo, surge a necessidade de cuidar de forma mais estruturada dos nossos times no que tange práticas de gestão de pessoas e processos do negócio. Aprofundando a análise dos resultados, escolhemos o principal ponto de alavancagem para atuar, que certamente sanaria o gap entre a cultura real e a cultura esperada: a comunicação”, conta Veras.

Em busca das causas raízes para entender a falha na comunicação, o grupo de executivos da empresa foi convidado a olhar – sem medo e com honestidade – para os comportamentos que jogam contra o processo eficiente de comunicação. Como resultado desse trabalho, o grupo foi capaz de identificar diversos compromissos ocultos que o distanciava de uma cultura de abertura à verdade, de transparência.

Segundo Veras, durante o processo foi preciso olhar para as sombras da Empiricus – um lado que existe em todas as empresas, mas que elas geralmente têm receio de assumir publicamente. “Se os RHs desejam ver mudanças, devem gerar um espaço onde a vulnerabilidade possa existir e todos possam expressar suas opiniões de forma transparente e honesta. É assim que a autenticidade se manifesta e a cultura em sua essência se fortalece”, aconselha.

 

Leia também: A importância da cultura empresarial na satisfação dos colaboradores

Share.